Melhores poemas de Outubro 2024
1º Lugar - CABOCLO DE PÉ NO CHÃO
Caboclo que levanta de madrugada
Antes do sol nascer
E corre pra roça, plantar sementes
Pra gente ter o que comer
CABOCLO DE PÉ NO CHÃO
Com calo na mão de tanto sofrer
Trabalhando de sol a sol e não vê a hora de colher
Às vezes vem a geada e põe tudo a perder
E quando colhe dá pena até de ver
Vem os atravessadores e leva sua colheita
Dinheiro que é bom o coitado pouco vê
Mesmo assim tenta sobreviver
Pois não tem ninguém pra defender
Sofre na lavoura, às vezes é difícil de viver
CABOCLO DE PÉ NO CHÃO
Com calo na mão com rosto queimado pelo sol
Com o corpo todo arcado pelo peso do enxadão
Não deixe de plantar, não deixe a gente na mão
Se um dia vocês parar, o que vamos fazer?
Feijão não sabemos plantar muito menos colher, o que vamos comer?
CABOCLO DE PÉ NO CHÃO
Com calo na mão, que acorda de madrugada
com a enxada na mão pra alimentar a nação
Que não é reconhecido, vai aí a minha gratidão.
Antônio Castilho.
*
2º - Poema s/título
Saudade
É pouco
Para quem já te sentiu muito!
Daniel Maurício.
*
3º - *PROFISSÃO: PROFESSOR*
Profissional sem muito valor
Não só no quesito monetário
Este é o perfil do professor
Da escola, um mero operário
Uma população que assim pensa
Enfrentará um grave problema
Se não mudar logo esta crença
Educação sempre será um dilema
É preciso seu entusiasmo resgatar
Pois é a peça chave do progresso
Profissão que todos devem respeitar
Por ser de todas as outras o acesso
Papel imprescindível, de valia
Que estrutura toda a sociedade
Não importa qual a metodologia
O professor transforma a realidade
Seu maior desejo é ser reconhecido
Pela sociedade, pelos governantes
Assim dirá: não foi tempo perdido
De pedras brutas, lapidei diamantes!
Elciana Goedert (Ciça)
*
4º Estrada da Infância
Caminho ligeiro pelas estradas da infância
bolsos dos calções suspendendo as mãos curiosas
assobio vibrante alegrando o ar.
Pelo portal do tempo resgato impagáveis memórias
de um imaginário recheado de tantas estórias.
Ágil trepo à árvore onde se gera a vida
a mãe ave olha-me complacente do alto do seu ninho de amor.
Antecipo já o dia em que o chilrear das suas crias sôfregas
numa melodia de bicos bem abertos, espera deglutir o seu quinhão de refeição.
Dia após dia, regresso à árvore diligente da sua missão
maravilhado pelo acontecer onde a vida se faz a crescer.
A Natureza sábia assim mostra a sua lição
um mundo desempoeirado pelos meus olhos entra, repleto de gratidão.
© Antero Jeronimo (23/out/2024)
*
5º Lugar VENHA
Plantei um jardim para esperar uma Rosa, que mora lá onde bate o vento.
Onde o tempo é instável.
Lá, onde bate o meu coração.
Chuvisca uma imorredoura paixão na manhã de amanhã .
Perfumam-se as flores em botão em torno da sepultura vazia.
Meu corpo confinado, desalmado, arremessado ao mais profundo abismo, clama contra o dia das bruxas que chegará em finados.
Vejo, por acaso, as estrelas do ocaso.
A solidão? Nem as montanhas vivem só, antes, unidas em cordilheiras aos mares, os nunca dantes e os já navegados.
No meu caso, clamo todos os dias para o sol, que se apresse a me acordar na hora certa.
Amo viajar planícies sem começo, sem fim, por onde murmura a vida de gado do povo marcado, povo infeliz.
O planalto curitibano, as colinas, as coxilhas, os seios das mulheres que nos amamentaram.
Gurias raríssimas dos contos de fada fecham as pálpebras, piscam de soslaio nas páginas do facebook, Instagram, Tik Tok.
As traíras sorriem, maquiavélicas, só para mim.
In pectore, mando um recado aturdido, virtualizo, somatizo, sublimo, suspiro, curto, surto, vou ao olimpo coroado de mirto e sempiterno louro.
O tempo corre aos trancos e barrancos, aos trapos na guerra dos farrapos.
Os dias passam fugazes como as tempestades.
Vou à igreja por atávico hábito imoral buscar o inebuscável, entrevistar o inentrevistável, meditar sobre o absurdo silêncio de D'us imutável.
Plantei a cruz no meu quintal e a Rosa Mística no meu jardim para fazerem sombra ao meu teto solar.
Vem, apressa-te, ó mais pura e perfeita das mulheres.
Fechei os olhos, sonhei, há tempos te espero.
A porta está aberta a hora que chegar, não precisa bater, nem dizer ô di casa, só entrar.
Venha para o lugar de nosso paraíso expulsos.
Venha como és, nua, clonada da minha costela, recoberta das folhas dos arbustos do bosque divinal.
Venha olhar a manhã, o céu cinza que goza a rorejar o denso orvalho, as goteiras aos cântaros, o vale encharcado aos pântanos, o sol broxando sem luz pra clarear, os passarinhos nidificados nos ninhos, eu nadificado do tudo sozinho, nadando no nada.
José Aparecido Fiori
*
6º Lugar : O sonho
Acorde gigante adormecido
desamarre as amarras
já é tempo de partir
em busca de outros mares...
A economia que havia
esquecido... está nos ares
e leva na dianteira
o sonho dos milhares.
Arromba a porta do futuro
e deixa o passado...
Fazendo brilhar, no duro
o sonho já maduro.
E colhe os frutos
do final da primavera,
e neste lodaçal que era
abrace a quimera, que espera.
Atílio Andrade
*
7º Lugar: NÃO CONSERTA
Deixa as grades do portão
Permanecerem quebradas...
E, assim a poesia livre,
Por entre elas, escapa
Deixa àquela gaiola aberta,
Lembra-se da tela de Magritte?
Deixa o pássaro de nanquim
Pousar no papel Canson,
Enquanto, o menino brinca
Com as tintas, deixa ele sujar
As mãozinhas...
Deixa o café esfriando na xícara
Para observar o beija-flor no jardim...
Deixa o amor invadir teu coração,
Deixando teu mundo de cabeça para baixo,
Deixa a lágrima de saudade flutuar
Na lembrança daquele mágico beijo,
Deixa... deixa a Vida acontecer…
Vanice Zimermann
**
8º PERFIS DA CIDADE ( CRÔNICA)
Bom-dia, amigos!
Ontem, iniciamos mais um mês no nosso calendário, o décimo de uma sequência rotineira, em que a convenção humana se apega para marcar nossos dias, nossas vidas, nosso viver.
Apesar da importância da data, o primeiro de outubro passa sempre despercebido. Lá se foi o dia dos idosos, de combate à Aids, do viajante, da esquadra.
Mas, é outubro. São trinta e um dias em que devemos trabalhar, lutar pela sobrevivência, defender nossos direitos e cumprir nossos deveres. Mesmo sendo o décimo mês do ano pelo calendário gregoriano, a origem do nome deste mês é latina e, no calendário romano, o que chamamos de outubro era o oitavo mês do ano, que iniciava em março, daí o nome, que vem de octo, que significa “oito”, e o primeiro dia de outubro começa sempre no mesmo dia da semana em que começa o ano que não é bissexto.
Curiosidades apenas, somente para lembrar que, para tudo, tem um sentido, e tudo na vida acontece com algum significado ou por alguma razão pré-estabelecida que, a bem da verdade, nem sempre é conveniente prever, pois se assim fosse não haveria razão, então, de vivermos, lutarmos, trabalharmos, estudarmos, pois tudo poderia ser previsto, evitado, forçado, direcionado.
Mais conjecturas... Afinal, estamos em um mês que se diferencia dos demais por ser o antepenúltimo do ano, quando devemos nos apressar para resolvermos questões que não podem passar para o ano seguinte; é o período em que somos mais cobrados nos estudos, pois, como dizem, a corda começa a apertar no pescoço de quem folgou desde o início, e a água começa a bater em lugares mais preocupantes, o que nos força a agir com mais eficiência e rapidez, muitas vezes sem dar a devida importância à qualidade dos nossos feitos.
Mas há muitas coisas boas neste mês: o dia das crianças, por exemplo, quando surgem promessas de melhoria das condições de vida daqueles que são o futuro do país, dos presentes que instituições distribuem, muitas vezes até com boa vontade, as campanhas de alimentos e brinquedos para os pequenos carentes. Temos também o Dia da Vida, o dia do Dinheiro, o dia dos Animais, do Cão, do Poeta, do Professor, da Ciência e da Tecnologia, do Médico, do Livro, do Dentista, da Democracia, da Iluminação, do Funcionário Público, da Dona de Casa e ... também ... das Bruxas.
Enfim ... é outubro! Esperamos, sinceramente, que seja um mês diferente dos anteriores, que seja melhor, que traga esperanças e perspectivas para que a maratona chamada de “final de ano” seja realmente boa para todos em todos os sentidos e, principalmente, com a escolha correta do novo prefeito, ou prefeita.
Já é outubro! Então ... vamos a ele, com fé, esperança e cuidados, principalmente na hora de votar, de trabalhar, de estudar …
Flávio Madalosso Vieira (Vieira Neto
*
9º Lugar: VIVER E SENTIR
Se foram ilusões o tempo vivido
O sonho que correu na noite
E na escuridão ficou perdido
Palavras sem razão e sem tempo
Que dançam no ouvido quase surdo
Ofuscaram os dias sem sentido
Pensamentos errantes nos lábios mudos
Pontes que atravessaram rios imaginários
Selvagens são as veias que persistem
Em percorrer o corpo quase inerte
Que com pouco ou quase nada se importa
Nos segundo que passam no preguiçoso relógio
Acordo para a vida num turbilhão de emoções
Baralhadas e confusas na minha mente
Sou eu quem vive e sente!
O vento que me traz novas alegrias
Onde só eu posso controlar a paisagem
Sacudir os pensamentos irreais
Acordar com um sorriso todos os dias
Viver é sentir a beleza num botão de rosa
Que se abre e perfuma o poema que não rima
Despe-se de poesia e veste-se de prosa
Vejo com claridade
Acordada, cabeça erguida
Seja boa ou má a estrada
Caminho sem medo e sou minha guarida
Meu abraço e meu segredo
Renovei as palavras e pintei-as de esperança
Força e vontade
Sou feliz na minha realidade!
Cris Anvago - 2015
*
10º O POETA
Entre palavras, versos e rimas
Nasce o poeta, alma que cria
Toca o céu, pisa o chão
Com leveza de quem tem a emoção
Seu olhar traduz a vida
Em cada linha, uma nova saída
Sentimentos que a linha traça
Num mundo onde o tempo passa
Ponte entre o real e o sonho
Mestre de um reino tristonho ou risonho
No papel, seu universo ganha vida e cor
Nos versos transborda sua essência e amor
Em seu peito um mar de sentidos
De amores, dores, momentos vividos
Na escrita, a liberdade plena
Verso a verso, desenha a cena
Neste dia honramos sua arte
Que nos toca, nos prende e reparte
Viva o poeta, guia da alma a florir
Nas linhas escritas, há um novo porvir
Isabel Regina Nascimento
Homenagem ao Dia do Poeta
20/10/2024

Comentários
Postar um comentário