Melhores poemas do mês de Dezembro de 2024



1º Lugar: José Aparecido Fiori - Uma pinga por favor - 23.12.2024

2º Lugar: Adriana Teixeira Simoni - Arrependimento - 19.12.2024

3º Lugar: Isa Regina - Primavera e chuva - 07.12.2024

4º Christian Tezza - “A solidão” - 21.12.2024

5º Pedro dos Santos - Brilhante - 17.12.2024

6º Paula Oz - “Sei de uma biblioteca” - 02.12.2024

7º José Carlos Montinho - Natal, utopia? - 17.12.2024

8º Atilio Andrade - Um choro diferente - 03.12.2024

9º Antero Jeronimo - “Olho este copo vazio” - 27.12.2024

10º André Vasconcelos - Cada um no seu cada um - 07.12.2024



UMA PINGA POR FAVOR

***José Aparecido Fiori 

Um grito parado no ar, acidente fatal.

Viver, destino morrer.

É Natal.

Comer, beber, sofrer, amar, orar.

Uma pinga por favor, copo cheio, quanto é?

O bar, o lar, a mesa, o altar.

Lágrimas de sal, vinagre, mostarda, hot dog, pastel, beijo de ketchup no guardanapo.

O mijo vomitado no vaso.

A descarga, sem água.

Um poema sobre a dor fonema, trombone, treponema.

O beija-flor cisca um fiapinho de pão.

Os olhos fixados no azul longínquo.

O sol esplendor logo diz: tudo é amor. 

Desabrocha a flor, desnuda a alma pelo corpo amortalhada, montada nas patas do meu rocinante, alada ao meu sisífico destino. 

Desatino, rabisco versos sem rima.

Subo o muro sem arrimo.

O rumo é o limbo, a lava, a lama, o limo. 

Do pó, nasci pecado há séculos ciclos.

Pecado intumescido, tentação pecado, tesão pecado. Só pecado. Malvado.

Amanhã mudo, apelo, desnudo a pele, o piercing, o pelo, escalpelo. 

Desembesto do cabresto, sei que não presto.

De nada vale meu preito, meu pleito, meu direito sem respeito.

Passo o tempo ao relento, namoro o vento, casei com a ventania.

Garçom, mais uma pinga, copo cheio, por favor.

***JAF


*

Arrependimento


Foi naquela janela da exibição 

Com a  cortina esvoaçante da vaidade

Uma inocência burra

Travestida  de arrogância 

Não vi as flores murcharem

Quem dera tivesse a sorte

Ou quem sabe  a coragem...


Pularia dessa janela 

Cairia outra vez no quintal já conhecido

Semeando verdades em terra já árida 

Todavia , de memória ainda fértil 

E ai..rastelar as pontudas pedras 

Deixando tudo limpo...noutro caminho


Quem me dera rever 

A vereda  renovada de flores

Sentir de novo o perfume e o toque 

Regando com disposição e afeto 

A estação  descuidada

Que desbotou-se com o passado


Adriana Teixeira Simoni

*


PRIMAVERA E CHUVA

Na cidade cinzenta a chuva desliza

Um chuvisco sutil que mal avisa

Nas ruas molhadas, os passos correm

Sob a marquise os sonhos escorrem

As gotas dançam num ritmo lento

Desenham memórias no firmamento

Espelhos d’água refletem o céu

Enquanto o vento assobia ao léu

O tempo pausa, o som suaviza

No rastro da chuva a alma desliza

Na cidade onde a vida tece

Sob a marquise, a vida padece

Entre o chuvisco e o murmúrio do ar

A poesia da chuva começa a falar

Gotas dançam no asfalto molhado

Cada verso, um sonho calado

Entre ruas e praças a vida floresce

Sob o canto da chuva a alma agradece

No coração da cidade o ciclo é puro

Renova-se o mundo em tom seguro

E assim seguimos, sob o céu cinzento

Primavera e chuva, em um só momento

Isabel Regina Nascimento

07/12/2024



**


A solidão 

É uma árvore seca 

De velhos galhos 

Calejados 

Que a noite

Perfuram o céu 

Escuro ralo papel 

E as estrelas 

Se derramam 

Como a flor que cai

Dos seus ramos

E se confundem 

No amargo brilho

Da lágrima torta

Que bate a porta

Da minha boca.

Christian Tazza


*

Olho este copo vazio


Olho este copo vazio

cheio de querer-te em mim

minh'alma caminha sozinha

percorrendo a estrada sem fim

Ouve minha voz que s'anuncia

entoando a melodia da saudade 

abraços ficaram retidos no tempo

em letargia, embalados em lamento 

Mesmo não sabendo se vens

espero-te neste deambular 

meus braços são resilientes

aprenderam com a força d'acreditar

A noite é minha companhia 

bebo inspiração no luar

olho este copo vazio

cheio da vontade de t'amar.

© Antero Jeronimo

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